3 de dezembro de 2014

Eu me lembro, eu me lembro...
Em meados de dezembro
Um menino conheci.
Eu ainda era criança
Quando brilhou a esperança
No então menino que vi.

Deixei de ser pequenino
Mas meu amigo menino
Não deixou de ser criança.
E todo mês de dezembro,
Em seus olhinhos, me lembro,
Brilhava a luz da esperança.

Sim, na noite de Natal,
De Belém vinha um sinal
Ao som de um sagrado hino.
Uma estrela me dizia
Que se chamava Maria,
E que era mãe do menino.

Então, num clarão divino,
O meu amigo menino
Surgia em forma de luz.
Todo de branco, vestido,
Sussurrava ao meu ouvido:
— Eu sou o menino JESUS!
Carlos Eduardo Drummond

30 de outubro de 2014




O poema "Oração Carioca" foi publicado no Livro da Tribo, da Editora Tribo (Edição 2015-2016), na página reservada ao dia 1o de Março, data em que a cidade irá completar 450 anos de existência. Viva o Rio de Janeiro, viva a Carioquice!

Carlos Eduardo Drummond

25 de outubro de 2014

Foto: Carlos Eduardo Drummond

15 de outubro de 2014


João do Pandeiro, morador de morro e compositor de Samba-Enredo, fez um samba sozinho e inscreveu no concurso de sambas de sua escola de coração. Perdeu na final, uma semana depois da inscrição. Para compor, inscrever e participar da disputa, não gastou mais que duas cervejas. No outro ano, encontrou um amigo bom de melodia e os dois compuseram novo samba. Dessa vez, ganhou, interpretando, ele próprio, o samba. E gastou apenas quatro cervejas. Nos concursos seguintes, João percebeu que não ganhava mais. Reparou também que os sambas inscritos eram assinados por pelo menos dois compositores. E, curiosamente, os que ganhavam tinham bons cantores. João, então, decidiu convidar um intérprete para cantar seus sambas. Chegou à final novamente, mas não ganhou. Gastou as cervejas e o preço acertado com o cantor. No ano seguinte, caprichou no samba outra vez e contratou um cantor de apoio. Ganhou de novo. Porém, gastou bem mais. O tempo passou e João voltou a perder. Viu, então, que os sambas vencedores tinham pelo menos dois cantores, um surdo, um violão, além do cavaquinho. E havia gente torcendo por eles. João, então, resolveu convidar Seu Manoel da Padaria para assinar o samba com ele, porque os custos seriam maiores. Seu Manoel, muito vaidoso, aceitou. Com três compositores, e um bando de portugueses na torcida, o samba de João chegou à final e ganhou de novo. Festa na padaria. João gastou, mas Seu Manoel gastou muito mais. Outras derrotas vieram. E João começou a ficar desiludido. Coincidentemente, os sambas vencedores levavam pelo menos quatro bons cantores, um ônibus com torcida, papel picado e bandeiras. João precisou convidar Seu Manoel da Padaria, Seu Jorge do Açougue, além de Marcinho Professor, que dava aula para três turmas lotadas de jovens apaixonados por samba. E convidou também o Rogerinho da Viação Flecha, porque conseguia ônibus de graça. Seu samba chegou à final, após oito semanas de apresentações e quadra lotada. Que festa! E o samba de João venceu novamente. O prêmio foi alto, mas depois de fazer a divisão entre os colaboradores, e abater os gastos, sobrou apenas o orgulho pela vitória. João voltou a perder nos anos seguintes. Observou que depois de treze apresentações, todas as parcerias finalistas eram formadas por pelo menos vinte pessoas, roupas padronizadas, torcidas organizadas (e bem alimentadas), papel picado, alegorias, bandeiras, bolas caindo do teto, bomba de serpentina, fogos de interior, telão de led, carro de som, canhão de luzes, danças coreografadas, faixas e adesivos com o refrão, além de quinze mil prospectos e cinco mil CDs distribuídos durante todo o concurso. A neta de João disse a ele que o samba campeão havia sido muito bem comentado nas redes sociais e que tinha feito um clipe que bombou no youtube durante toda a disputa. João não acessava a Internet. Ficou desiludido mais uma vez. No último ano, apenas quatro parcerias tiveram coragem (e orçamento) para se inscrever na disputa, e todas com compositores mesclados de outras escolas. Na lista de compositores inscritos, havia seis cantores de renome, um jogador de futebol, vinte e cinco empresários e um político. João assistiu à vitória de um samba que gastou o equivalente a um imóvel e levou mil pessoas à quadra na final... cantando. E João, que ainda morava de aluguel, concluiu que não dava mais para ele. Os sambas dele já não tocavam mais na quadra porque não se encaixavam no formato novo. João morreu no dia de uma final de sua escola de coração. Mas nem sequer foi feito o minuto de silêncio. O cara responsável estava ocupado no celular, tentando acessar a rede wi-fi, para publicar uma foto com a rainha de bateria, enquanto o cantor da Escola interpretava os versos: Não deixa o samba morrer....  

Carlos Eduardo Drummond


9 de outubro de 2014



A partir de hoje, o livro "Dreamaker - O Realizador de Sonhos" poderá ser adquirido em formato e-book, a preços populares. 

8 de agosto de 2014

Imperatriz apresenta curta sobre primeiro mestre-sala carioca

Lalu de Ouro - Festa da Penha2










Texto e foto: divulgação
                                                     Clique para assistir
Dirigido por  Becca Lopes, o curta-metragem conta a história  de  Hilário Jovino Ferreira, o Lalu.  Figura conhecida do Morro da Conceição, na Gamboa, e amigo da lendária Tia Ciata, Lalu se desliga de seu rancho e funda o Ás de Ouro, em 1893. 
Criativo, o Rancho Ás de Ouro introduziu algumas inovações tais como, não sair no Dia de Reis, 6 de janeiro, passando a desfilar no carnaval, que foi seguido pelos outros grupos de ranchos. Ousado, Lalu decide substituir a tradicional Guarda de Honra que protegia a porta estandarte por ele mesmo sozinho. 
A ideia foi copiada por outros grupos de ranchos carnavalescos, surgindo assim a figura do mestre-sala. Além de Weber  Werneck, que dará vida a Lalu de Ouro, o elenco é composto por representantes de diversos segmentos da Imperatriz Leopoldinense, e a primeira sessão acontece  hoje às 19h30, na quadra da agremiação, com entrada franca.

27 de julho de 2014


Samba Concorrente - Carnaval 2015 - Império Serrano
Enredo: Poema aos peregrinos da fé...
Autores: Aluísio Machado, Carlitos do Império, Daniel Teles, Índio do Império, Drummond, Alexandre Macaquinho, Jorge do Cavaco e Moisés do Nascimento.
Intérprete: Karlinhos Madureira


Clique para ouvir


A alvorada anunciou...
O Império agradecido veio festejar,
Com seu manto verde e branco...
Fogos explodem no ar...
Em Madureira... O samba... Religião!
Segue a procissão...
É o meu lugar... Emoção!
Caminhos da força divina
Que nos ensina a elevar o pensamento!
Esqueço da dor... E por um momento
Sou filho da luz... É quem me conduz,
É benção verdadeira... É divinal
O brilho do meu Carnaval!
Já levei meu patuá
Pra mãe-de-santo rezar!
Me benzi na escadaria...
Eu só quero amor e paz
Pau-de-arara nunca mais!

No altar...
Em cada canto desse meu Brasil,
A esperança brilha no olhar,
Na imensidão de cada coração!
Sincretizado na força,
Abençoado nas águas de Oxalá!
Avante, Império Serrano!
Meu guerreiro soberano,
Você é especial!
Na romaria da folia,
É a hora da Serrinha,
E a fé não costuma falhar!
Vou nessa corrente
E com devoção,
Hoje o império vem cantar em oração!
Se é peregrino da fé
Imperiano é...

20 de julho de 2014

Samba Concorrente - Carnaval 2015 - Paraíso do Tuiuti
Enredo: Curumim chama cunhatã que eu vou contar...
Autores: Aluísio Machado, Pelé, Índio do Império, Drummond e João Lino
Participação Especial: Almir Ha Ha e Alexandre Macaquinho
Intérprete: Karlinhos Madureira
Vou contar...
As aventuras de um alemão!
Cruzou o mar e aqui chegou,
Movido pela sede da ambição!
Terra abençoada,
Iluminada Santa Cruz, Brasil!
O destino, então, se fez mais forte,
Lançado à sorte, à solidão voraz...
Matar a fome dos Tupinambás,
Um ritual em festa,
No coração da floresta!

Vem bailar, vem bailar!
Como se baila na tribo,
"Tamo" junto e misturado,
Vem bailar comigo!


O tempo se vestiu de esperança,
Na flecha e na lança,
O bom selvagem floresceu!
Deuses naturais, a flora e os animais,
A vida em paz, a natureza a seus pés...
Liberdade raiou,
Ao velho mundo retornou,
Herói da história, ditando memórias:
Fonte de escritores e artistas,
Banquete para os nossos Modernistas!

Feliz da vida... É dia de índio!
Em harmonia, sem pecado e sem juízo,
Meu paraíso é aqui
A Tuiuti é meu sorriso!

3 de julho de 2014

"Deus só costuma dar asas àqueles que preferem caminhar pelo chão da humildade"

Carlos Eduardo Drummond

3 de junho de 2014


Foto: Carlos Eduardo Drummond

Quando o poeta sofre por amor,
Ele nem desconfia,
Que, bem distante, uma linda flor
Chora na serrania.
E tudo em volta dele se entristece...
As paredes, o quarto, a casa...
Até o jardim também padece,
Quando poeta sofre por amor...


Carlos Eduardo Drummond